Cristais de parmesão, azeitonas líquidas, sem caroço, flores... Eis alguns dos 12 pratos de entrada servidos no menu degustação do El Bulli, restaurante número 1 do mundo. Nesse segundo texto, nosso correspondente internacional especial, Keith, diretamente de Barcelona, nos conta mais sobre sua experiência nos domínios de Ferran Adriá.
A diversão começou com variações estruturais de velhos favoritos. Mojitos e caipirinhas, não em copos, mas em cortes retangulares de cana de açúcar. Grãos de milho foram triturados em uma farinha fazendo uma folha de manteiga crocante de meio metro que se chamava ‘lenço’. As azeitonas esféricas incharam em gemas concentradas, estourando na boca. Amendoins se apresentaram em pastas cilíndricas, com biscoitos de gergelim e chips da baunilha. Para finalizar, o parmesão aquecido se transformou em uma delicada película cristalizada, que chegou cintilando em uma bandeja de aço ondulada.
Tiramos fotos e ficamos olhando para todos aqueles pratos, tentando decifrar nossas primeiras impressões. Depois, comemos devagar, delicadamente, pegando um pedaço do chip, tomando azeitona, mordiscando o biscoito. Para acompanhar, pedi um Rioja ’98 Reserva, sem ter ideia se era a melhor escolha - o sommelier, moço jovem de Olot, não me deu muitas pistas. O alimento era claramente a estrela da noite, vinho nenhum iria harmonizar.
Os petiscos continuavam chegando e não ficou claro o que era petisco e o que era prato principal. Acho que, após o cristal de parmesão, o néctar da flor, a esponja de coco e o biscoito de chá serviram para limpar o paladar e concluir o tempo das entradas.
Ainda nem havíamos bebido o vinho, mas estávamos em transe: já haviam nos servido doze pratos! Azeitonas, líquidas. E como é que eles conseguiram deixar o queijo em pé, como uma folha, na mesa? No meu prato, uma flor que costumava colher na estrada a caminho de Cadaqués... O cérebro, os olhos, a boca e o estômago trabalhavam duro para entrarem em um acordo – mas não conseguiam.
As entradas começaram relativamente inocentes, mas ficou claro que Ferran Adriá tinha vários truques na manga para os pratos principais. Ou será que el Bulli não precisaria de pratos? Ainda não havia usado um garfo sequer.
* Nas fotos: esponja de coco, cracker de gergelim, pasta de amendoim e chip de baunilha.
** As primeiras impressões desse jantar você lê aqui. Na próxima semana, Keith fala sobre os pratos principais, entre eles, uma folha com sabor de ostra!





7 comentários:
Keith...estou impressionado com essa experiência incrível,sem falar da descrição. Essa azeitona...deve ser muito boa!
Parabens
Abraços
Flávinho
Nossa, Rê, parece tudo super interessante. dá pra entender porque ele é considerado um genio inovador. mas eu teria a maior preguiça de batalhar por uma reserva num lugar desses. aqui pertinho tem o French Laundry do Thomas Keller, que tem um menu assim, talvez nao tao arrojado, mas que custa 300 por pessoa e você precisa se degladiar pra conseguir reserva. Um dia, talvez, sei la, mil coisas. Vou aguardar os proximos relatos. beijao! :-*
Rê, grato pelo aviso.
E está mais do que na cara que comer no El Bulli é como ir a uma ópera no melhor lugar!!
Isto nâo é comida! É um espetáculo dos melhores e como todo, deve ser admirado.
É claro que ninguém gostaria de comer lá todo dia, mas também é certo que deveria ir pelo menos uma vez na vida!
Há cinco anos eu tento uma reserva por e-mail (sempre no começo de outubro) e já recebi cinco e-mails de desculpas por não poder ser atendido! hahaha
Pelo menos vou continuar lendo/vendo por aqui.
Abs.
Mor, azeitona sem caroço, a solução para todos nossos problemas!!! rs
Fer, já ouvi falar no French Laundry. Eu, particularmente, não investiria minhas patacas em um jantar nesses restaurantes tão tops e diferentex. Acho que sou muito provinciana, mas estou amando os textos do Keith, super divertido e cheio de fotos.
Edu, na hora pensei em você e me perguntei se você já foi, por isso lhe deixei um recado. Para vc e para Fer, duas pessoas que queria que lessem os textos do Keith.
É um espetáculo mesmo, como o ele bem está descrevendo. A história do tour na cozinha, as fotos ao lado do Adriá, não há definição melhor. Deve ser, de fato, uma experiência única, mas acredito que não necessariamente ela tenha de se repetir.
Fer, Edu, bom que vocês curtiram. Semana que vem tem mais.
Bjs aos 2 e ao More lá de cima,
Parece um parque de diversões!!!!
Todo mundo deve ficar eufórico na mesa, rindo de nervoso na espera do próximo prato!!!! Eu adoraria ir!!!
Beijo, Fá Gallo.
Amei o blog de vocês, achei muito bacana e as fotos dos pratos do El Bulli são demais...vc vê a comida como ela é, não é aquela foto profissional toda montada, com a iluminação perfeita e tals. E vou dizer que sou mais os espetinhos do post debaixo viu? Tempos atrás li um artigo que dizia que a cozinha molecular era o futuro da alimentação, e eu realmente acredito que não. Imagina só: "Mamãe, o que temos de sobremesa?.....esponja de coco filhinho." Não dá né? Realmente ir a um restaurante desses é um evento experimental (único e incrível, claro).
Parabéns pelo blog, voltarei.
Amei o blog de vocês, achei muito bacana e as fotos dos pratos do El Bulli são demais...vc vê a comida como ela é, não é aquela foto profissional toda montada, com a iluminação perfeita e tals. E vou dizer que sou mais os espetinhos do post debaixo viu? Tempos atrás li um artigo que dizia que a cozinha molecular era o futuro da alimentação, e eu realmente acredito que não. Imagina só: "Mamãe, o que temos de sobremesa?.....esponja de coco filhinho." Não dá né? Realmente ir a um restaurante desses é um evento experimental (único e incrível, claro).
Parabéns pelo blog, voltarei.
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